Segundo O Estado de S. Paulo, o Museu da FEB, que registra a participação do Brasil na II Guerra Mundial, vai fechar por falta de recursos. "A associação que mantinha o museu, biblioteca e assistência jurídica aos veteranos e suas famílias também encerra as atividades". Com isso, o acervo do museu, constituído por documentos, uniformes, armas e equipamentos, corre o risco de desaparecer. (O que se gastou na ridícula farda camuflada do ministro Nelson Jobim daria para pagar as contas do museu por mais alguns meses.)
Pois é, dirá o cidadão bem-intencionado, o Brasil não zela por seu passado. Que pena! Infelizmente, não é verdade. O Brasil não cultiva um certo passado. O esquerdismo dominante no governo e em grande parte da imprensa não celebra, por exemplo, a participação dos brasileiros na II Guerra Mundial porque esta foi, para nosso orgulho, uma guerra em que lutamos do lado certo: contra o totalitarismo, junto com os EUA e a Inglaterra, chefiados por oficiais do mais alto valor, alguns dos quais - a começar por Humberto Castello Branco - viriam a liderar, vinte anos mais tarde, o golpe militar de 1964.
As guerras que o lulo-petismo gosta de comemorar são outras. Dizem respeito à permanente reconstrução de sua mitologia: episódios de "resistência à ditadura militar", as greves do ABC, o "massacre de Eldorado de Carajás", o assassinato de Chico Mendes e Dorothy Stang (irão incluir Celso Daniel nessa galeria?), além da revolução cubana, o dia da Consciência Negra, etc. etc. É toda uma Folhinha Mariana de esquerda, feita de meias-verdades e abundante imaginação, com seus mártires, dias santos, cânticos e celebrações. É a Folhinha Luliana. A "outra" História, que diz respeito à vida e ao bem-estar de milhões de brasileiros comuns, que não estão no governo nem gravitam em torno do PT, essa não interessa. Os escravos intelectuais do petismo só se interessam por ela para "desconstruí-la".
No ritmo em que progridem a culpa e o sofrimento moral de uma certa casta ultraprivilegiada dos EUA (localizada sobretudo em Hollywood e nas universidades de elite), breve teremos livros e filmes a nos provar que, na II Guerra Mundial, os americanos foram tão cruéis quanto os nazistas. E, passado um tempo, depois que esta primeira aberração tiver sido assimilada pela "opinião esclarecida", outros livros e filmes (calorosamente acolhidos nos cadernos de cultura dos grandes jornais brasileiros) tentarão nos convencer de que, dadas as circunstâncias, o contexto, a história, etc., os verdadeiros bandidos daquela guerra não foram os nazistas, mas Roosevelt e Churchill.
O lulo-petismo espera ansioso que cheguem esses sinais lá de cima, para que possa, em seguida, aplicar essas novas teses à nossa própria história. Nesse dia, quem tiver um pracinha na família, quem for neto ou bisneto de um soldado brasileiro que lutou na Itália contra a barbárie nazista, deverá sentir vergonha do próprio sobrenome. Nossos pobres heróis, há muito abandonados e esquecidos, serão também transformados, nesse dia, em "inimigos do povo". E a obra de desconstrução da “história oficial” poderá exibir, enfim, mais uma de suas conquistas gloriosas.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Ética da máfia
Há dias um funcionário da Câmara foi à CPI dos Cartões explicar aos deputados como tivera conhecimento do dossiê preparado pelo governo Lula contra seus adversários políticos. A certa altura, uma deputada petista, inconformada com o fato de ele ter passado a um superior as informações que recebera, passou a chamá-lo de dedo duro. Ninguém se lembrou de advertir a deputada de que, numa democracia, essa expressão é de uso exclusivo de criminosos.
De fato, criminosos não denunciam uns aos outros. Estão ligados por um pacto - contra o governo, a polícia, contra todos os responsáveis pelo cumprimento da lei. Nessas circunstâncias, aquele que denuncia um crime alia-se ao inimigo (a lei, a autoridade) contra os amigos (os demais criminosos). Por trair os camaradas de contravenção será execrado como dedo duro.
Essa, porém, não é a situação do cidadão que vive de acordo com a lei. O cidadão honesto, se testemunha um crime, pode e deve denunciá-lo. Seu pacto é com a lei, não com o criminoso. Ao procurar um policial e informar o que sabe, ele não está traindo nenhum companheiro, porque sua lealdade, no caso, não é devida a quem cometeu o crime, mas aos homens de bem.
Ao atacar um servidor público que honestamente cumpriu seu dever, a deputada petista revelou não compreender que existem diferentes éticas, e que homens de bem não vivem segundo as regras dos mafiosos. Pensando bem, o excepcional seria se a deputada, sendo petista, revelasse o contrário.
De fato, criminosos não denunciam uns aos outros. Estão ligados por um pacto - contra o governo, a polícia, contra todos os responsáveis pelo cumprimento da lei. Nessas circunstâncias, aquele que denuncia um crime alia-se ao inimigo (a lei, a autoridade) contra os amigos (os demais criminosos). Por trair os camaradas de contravenção será execrado como dedo duro.
Essa, porém, não é a situação do cidadão que vive de acordo com a lei. O cidadão honesto, se testemunha um crime, pode e deve denunciá-lo. Seu pacto é com a lei, não com o criminoso. Ao procurar um policial e informar o que sabe, ele não está traindo nenhum companheiro, porque sua lealdade, no caso, não é devida a quem cometeu o crime, mas aos homens de bem.
Ao atacar um servidor público que honestamente cumpriu seu dever, a deputada petista revelou não compreender que existem diferentes éticas, e que homens de bem não vivem segundo as regras dos mafiosos. Pensando bem, o excepcional seria se a deputada, sendo petista, revelasse o contrário.
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