terça-feira, 25 de novembro de 2008

O Paradoxo 1968

Nossos ideais juvenis, todos, vieram dos EUA, dos filmes de Hollywood, de Seleções, dos gibis do Capitão Marvel que trocávamos antes das matinês. Não éramos intelectuais, não líamos em Francês, não conhecíamos Heiddeger. Éramos jovens de classe-média semi-instruídos, filhos do desenvolvimentismo juscelinista e do “milagre econômico”, recém-saídos do Brasil agrário, sonhando com um mundo que nos chegava sobretudo pelo cinema e pelas revistas: um país mais rico, uma família menos opressiva, uma escola menos autoritária, relações menos dolorosas com o sexo oposto, sem a ameaça do Pecado e da Culpa a pairar sobre nossas jovens cabeças. E aí, no instante em que deixávamos a adolescência, fomos apanhados pelas águas do catolicismo anti-reformista, do anti-individualismo, do positivismo, do marxismo, do terceiromundismo – por essa mistura, enfim, de imaginário da Conquista com ideologias progressistas do século XIX, que conseguiu nos convencer do impossível: os sonhos e fantasias nascidos do nosso enamoramento pela cultura norteamericana só poderiam se realizar no “Brasil socialista”. Pior: só chegaríamos ao Brasil Socialista se cumpríssemos uma agenda cultural e política que tinha entre seus pontos destacados o combate à influência norteamericana em nossas vidas! Esse paradoxo iria nos causar, ao longo dos anos, um profundo mal-estar psíquico, que só poderíamos suprimir por dois meios: pelo abandono do projeto de "Brasil socialista” ou pelo cinismo. Daí que a “geração 68” se expresse, hoje, em três vertentes: os cínicos, muitos deles no poder, que sempre derramam uma lágrima quando se fala nos pobres de Havana, o que lhes alivia o fardo de viverem como ricos de Miami; os renunciantes, cansados da política mas no fundo anticapitalistas, geralmente imersos na construção de projetos de vida alternativos (orientalismo, esoterismo, etc.) ou transformados, como Arnaldo Jabor, em arautos do Apocalipse (“depois da minha geração, o fim do mundo que vale a pena viver”); os ex-militantes de esquerda convertidos (ou “revertidos”) ao liberalismo ou à direita, não por acaso os críticos mais duros e consistentes do petismo e do “politicamente correto”.

Saudade de 1968? Claro! Das minissaias, principalmente.

sábado, 1 de novembro de 2008

Presidente negro: a África tem vários...

Ontem, em Cuba, o presidente Lula, com sua habitual sabedoria, declarou que seria muito bom se os EUA elegessem um negro para presidente. Mais não disse. E deixou uma dúvida: dado que os negros, assim como os brancos, dividem-se em várias etnias, será que o presidente tem alguma preferência? Um hutu? Um tutsi? Um zulu? Ou um xhosa? Todos são negros. E ainda há outras, muitas outras - também constituídas por negros. Pena que o presidente não teve tempo de discorrer mais longamente sobre o assunto, que ele parece conhecer tão bem.