segunda-feira, 31 de maio de 2010
O perfeito idiota latinoamericano
terça-feira, 25 de maio de 2010
O deboche como categoria de pensamento
O último parágrafo é magnífico:
À Mão Esquerda é o epitáfio de uma geração que se achava extraordinariamente importante, mas cuja contribuição à cultura nacional se revela cada vez mais nula à medida que os ecos das conversas nos bares de Ipanema vão se extinguindo como um sussurro distante. Da patota, como essa geração se autode-nominava, só sobrarão as obras de seus membros periféricos e honorários, Millôr Fernandes e Carlos Heitor Cony. O próprio Francis só sobrevive como personagem, não como autor. A história da intelectualidade brasileira está repleta desses episódios que, por um momento, parecem muito atraentes, mas dos quais só resta, no fim das contas, o esquecimento.
De fato, não se pode afirmar que tenha sido “nula” para a cultura nacional a contribuição de uma geração que marcou por mais de uma década as principais manifestações da nossa intelligentsia. Pode-se afirmar que essa contribuição foi perniciosa, ou que a obra dessa geração ajudou o pensamento nacional a se afastar – e muito – dos padrões culturais razoavelmente aceitáveis. Mas “nula”, certamente, ela não foi.
Na verdade, a grande contribuição da “patota de Ipanema” para o Brasil foi a instituição do deboche como categoria intelectual. Convencionou-se, nalgum momento dos anos 70 do século passado, que só poderia ser cool – leia-se: intelectual verdadeiramente moderno -- quem ousasse debochar de tudo o que de certo modo encarnava o Brasil “tradicional”. Se você ia à missa, era um carola; se punha a mão no peito durante a execução do Hino Nacional, era um babaca; se sonhava em casar-se virgem, era digna de um risinho piedoso; se respeitava seus pais, era quadrado; se não fumava maconha, era careta; se usava farda, era “gorila”; se se aplicava aos estudos, era CDF. E tudo isso – ser careta, quadrado, carola ou CDF – condenava-o, entre outras coisas terríveis, a ser desprezado pelos frequentadores daquele Olimpo dourado pelo sol de Ipanema, onde os eleitos bebiam uísque escocês, confraternizavam com escritores da moda e dormiam com mulheres deslumbrantes.
Nunca se tratou de um verdadeiro embate filosófico, de uma crítica organizada do pensamento “progressista” a determinados valores “tradicionais”. Ninguém entre os "progressistas" tinha estofo para isso. E, na falta de estofo intelectual para uma crítica filosófica, optou-se pela pura e simples derrisão. Todo um catálogo de valores e comportamentos foi colocado no index da “turma de Ipanema” e impiedosamente satirizado, caricaturado, ridicularizado, até que nada restasse além de um sorriso cínico a contemplar ruínas. Criava-se o deboche como um jeito de olhar para o mundo – para o Brasil, principalmente; para o nosso passado e para o nosso futuro. Para a vida em geral.
Devido à sua mordacidade, ao terror que sua ironia provocava, a “turma de Ipanema” foi muito eficiente em banir os valores tradicionais do meio da intelligentsia nacional. Por razões que estavam muito além das suas forças, foi incapaz de colocar algo no lugar do que destruía. Da sua obra restou apenas uma estética, um jeito de abordar superficialmente os problemas, um método – que é o deboche, outra palavra para cinismo.
Não é pouca coisa. Olavo de Carvalho fez bem em lhe dedicar um réquiem. Mas ela ainda nos assombrará por muito tempo. Basta olhar para as escolas e as redações dos jornais.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Ideias para tornar o povo feliz
Adolf Hitler, citado por Joachim Fest
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Intelectuais em busca de utopias
"Revolucionários que fizeram a revolução com a pele dos outros".(Stéphane Courtois, "Cortar o Mal Pela Raiz")
quinta-feira, 4 de março de 2010
Oposição: democracia; dissidentes: tirania
O reconhecimento mais cabal da natureza do regime cubano é feito naquele lugar onde não há controle oficial: a linguagem. Toda vez que um jornal se refere à oposição em Cuba, escreve dissidentes. Ora, dissidente é um conceito do totalitarismo. Dissidente é aquele que ousa se apartar da unanimidade exigida pelo Partido ou pelo Chefe. Não há dissidentes nos EUA, na Alemanha ou na Holanda; essa expressão não tem sentido numa sociedade democrática. Nem mesmo no Brasil, cuja imprensa, na sua esmagadora maioria, foi seduzida pelo PT (de fato, pelas utopias totalitárias), um jornalista ousaria referir-se aos integrantes do PSDB ou do DEM como dissidentes. No entanto, no caso de Cuba, essa expressão soa natural
Os jornalistas e intelectuais de esquerda julgam-se no dever de, mesmo um pouquinho envergonhados, defender Cuba. Entretanto, quando têm que se referir à ilha, uma espécie de bom-senso tira-lhes o juízo e força-os a escrever dissidentes onde pretendiam escrever oposição. É o triunfo do princípío do real sobre a ideologia. No fundo das suas almas progressistas, sabem que oposição é um conceito das democracias e que nas ditaduras só há dissidentes. Sabem, com o bom-senso de que foram dotados até os mais simples dos seres humanos, que Cuba é uma ilha-prisão, uma tirania cuja natureza "revolucionária" consiste em encarcerar e matar seus próprios cidadãos. Gostariam de não admitir essa verdade desagradável. Mas aí, quando estão prestes a escrever oposição, vem o subconsciente e lhes sopra: dissidentes. É o tributo que a má consciência paga à verdade.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O berço das utopias
(Theodore Dalrymple, alias Anthony M. Daniel, "A Pobreza do Mal", em Dicta & Contradicta, dezembro, 2009. Tradução de Julio Lemos e Marcelo Consentino.
domingo, 24 de janeiro de 2010
O Cabresto, Instituição Nacional
No Estadão de hoje, Francisco Weffort cobra do PSDB e da oposição em geral opiniões mais claras sobre o governo Lula. Inútil. O PSDB, tanto quanto o PT, não existe como partido político. Não vive da militância e dos recursos dos seus filiados, nem formula suas linhas de ação em conferências ou congressos. A oposição, como o PT, só existe como linha auxiliar deste ou daquele governante. Em todo o País, o PT age de acordo com a vontade de Lula.
As declarações do senador Sérgio Guerra à Veja, e também a nota que fez publicar em seguida, chamando Dilma de mentirosa, não traduzem o ponto de vista do PSDB – apressaram-se a soprar peessedebistas graúdos. Na verdade, ninguém expressa o ponto de vista do PSDB enquanto Serra não chegar à presidência da República. No dia em que isso acontecer (se acontecer...), será possível conhecer o ponto de vista do PSDB, assim como se conhece hoje o do PT: é só ler o Diário Oficial.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Sobre a Engenharia de Almas
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Nosso doce sonho infantil
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Para que os idiotas lêem livros de História?
Para poderem exclamar: “Que absurdo, os alemães, tão cultos, tão inteligentes, se deixarem enganar por um demagogo medíocre como Hitler!” – enquanto se deixam enganar pelos absurdos proferidos pelo mais medíocre dos demagogos.
