quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O gigante



Estou em Belo Horizonte a trabalho. Cansado, como um lanche no quarto do hotel, antes de dormir, e de repente ouço um troar de gritos e buzinas que sobe da avenida Afonso Pena. "Ah! - imagino - começaram os protestos contra a decisão do Supremo que deu aos golpistas do PT uma nova chance de escapar da cadeia. Os brasileiros não desejam uma nova ditadura, nem suportam mais tanta corrupção e desfaçatez! O gigante acordou!"


Nesse estado de ânimo, entusiasmado, esperançoso, vou para a janela saudar o povo rebelado. E noto, então, que as bandeiras que os manifestantes desfraldam não são a do Brasil: são completamente azuis. Ligo a TV: o Cruzeiro ganhou do Botafogo e se tornou líder do campeonato brasileiro. Ah, compreendo... Já posso voltar para o meu lanche. Desculpa aí, seu gigante!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Eu também


Tenho 1,60 m, peso 92 kg e meus pés são um pouquinho virados para dentro. Quando acabar meu mandato à frente da Associação Brasileira dos Sem Noção, vou parar de pintar o cabelo. Vou ficar igualzinho ao Rutger Hauer em Blade Runner.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Nova minoria excluída: os católicos ricos.



O Papa é "dos pobres", avisam-nos os jornais e revistas. Por que só dos pobres? Os ricos não têm uma alma que é preciso salvar? Por que, afinal, a Igreja Católica não ama os ricos com o mesmo amor que dedica aos pobres? "Ah, é uma questão de justiça. Os ricos já têm tudo". Não é verdade. Os ricos têm tudo, ou quase tudo... neste mundo. Mas essa riqueza nada representa no que se refere à Salvação, pois o reino de Deus, Jesus advertiu, "não é deste mundo" (João 18:36). No reino de Deus, os critérios que hoje utilizamos para chamar alguns de "ricos" e outros de "pobres" nada significam. No reino de Deus não há pobres nem ricos. 

Por isso, ao se declarar "dos pobres", o Papa e sua Igreja cometem um grave pecado. Fazendo subentender que os ricos já foram muito premiados (e que agora, por isso, é a vez de cuidar dos pobres), o Papa e sua Igreja declaram, por vias tortas, que, se existe um prêmio que o cristão receberá, esse prêmio está sendo entregue aqui na Terra. Os ricos já o receberam em abundância. Agora, de acordo com os princípios do direito redistributivo, a Igreja deve empenhar-se para que os pobres também o recebam. Com essa lógica, o que o Papa e sua Igreja afirmam, sem disso se dar conta, é que tudo se resume a este mundo; o reino de Deus não existe

Deste modo, depois de tantos séculos, tantos concílios, tantas encíclicas, tanta filosofia, descobrimos, pelas palavras singelas de um papa argentino, que o que vale, mesmo, é o velho dito popular: aqui se faz, aqui se paga. O único mundo que existe é este: o do populismo.

A América Latina nunca falha. 

terça-feira, 5 de março de 2013

As ideias devem estar a serviço do progresso social


O PT não gosta do que os jornais publicam. Ora, o que impede o PT de ter seu próprio jornal? Nada. Aliás, ele tem um jornal – que, mesmo entre os petistas, é lido por meia dúzia de gatos pingados. E é aí que está o problema: o PT gostaria que cada meditação profunda de Lula brilhasse na primeira página... do Estadão. Que os comentários sábios e tolerantes de Rui Falcão fossem manchete... na Folha. Que o Globo reservasse a primeira página do seu caderno de Turismo para, quem sabe, as fotos de viagem de Rosemary Noronha. O PT não quer o controle absoluto da mídia tal como é exercido em Cuba ou na Coreia do Norte. Ele quer, sim, que os Marinho, os Mesquita, os Frias continuem contratando e pagando seus jornalistas, recolhendo seus impostos, fazendo seus jornais chegar a cada canto do Brasil, arcando com os prejuízos quando estes se apresentarem, mas que caiba a um “conselho de democratização da informação e da cultura” ou assemelhado, constituído por ongs, sindicatos, associações de “jornalistas”, todos casualmente petistas, definir algumas questões de detalhe: isto é bom para o povo, isto é ruim, isto merece ser publicado na primeira página, isto deve ir para a lixeira. Não é censura: o PT só quer retirar dos donos dos jornais uma pequena liberdade, que lhe parece excessiva – o direito de opinar. No mais, eles podem continuar com seus jornais...