terça-feira, 23 de julho de 2013

Nova minoria excluída: os católicos ricos.



O Papa é "dos pobres", avisam-nos os jornais e revistas. Por que só dos pobres? Os ricos não têm uma alma que é preciso salvar? Por que, afinal, a Igreja Católica não ama os ricos com o mesmo amor que dedica aos pobres? "Ah, é uma questão de justiça. Os ricos já têm tudo". Não é verdade. Os ricos têm tudo, ou quase tudo... neste mundo. Mas essa riqueza nada representa no que se refere à Salvação, pois o reino de Deus, Jesus advertiu, "não é deste mundo" (João 18:36). No reino de Deus, os critérios que hoje utilizamos para chamar alguns de "ricos" e outros de "pobres" nada significam. No reino de Deus não há pobres nem ricos. 

Por isso, ao se declarar "dos pobres", o Papa e sua Igreja cometem um grave pecado. Fazendo subentender que os ricos já foram muito premiados (e que agora, por isso, é a vez de cuidar dos pobres), o Papa e sua Igreja declaram, por vias tortas, que, se existe um prêmio que o cristão receberá, esse prêmio está sendo entregue aqui na Terra. Os ricos já o receberam em abundância. Agora, de acordo com os princípios do direito redistributivo, a Igreja deve empenhar-se para que os pobres também o recebam. Com essa lógica, o que o Papa e sua Igreja afirmam, sem disso se dar conta, é que tudo se resume a este mundo; o reino de Deus não existe

Deste modo, depois de tantos séculos, tantos concílios, tantas encíclicas, tanta filosofia, descobrimos, pelas palavras singelas de um papa argentino, que o que vale, mesmo, é o velho dito popular: aqui se faz, aqui se paga. O único mundo que existe é este: o do populismo.

A América Latina nunca falha.