quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ética da máfia

Há dias um funcionário da Câmara foi à CPI dos Cartões explicar aos deputados como tivera conhecimento do dossiê preparado pelo governo Lula contra seus adversários políticos. A certa altura, uma deputada petista, inconformada com o fato de ele ter passado a um superior as informações que recebera, passou a chamá-lo de dedo duro. Ninguém se lembrou de advertir a deputada de que, numa democracia, essa expressão é de uso exclusivo de criminosos.

De fato, criminosos não denunciam uns aos outros. Estão ligados por um pacto - contra o governo, a polícia, contra todos os responsáveis pelo cumprimento da lei. Nessas circunstâncias, aquele que denuncia um crime alia-se ao inimigo (a lei, a autoridade) contra os amigos (os demais criminosos). Por trair os camaradas de contravenção será execrado como dedo duro.

Essa, porém, não é a situação do cidadão que vive de acordo com a lei. O cidadão honesto, se testemunha um crime, pode e deve denunciá-lo. Seu pacto é com a lei, não com o criminoso. Ao procurar um policial e informar o que sabe, ele não está traindo nenhum companheiro, porque sua lealdade, no caso, não é devida a quem cometeu o crime, mas aos homens de bem.

Ao atacar um servidor público que honestamente cumpriu seu dever, a deputada petista revelou não compreender que existem diferentes éticas, e que homens de bem não vivem segundo as regras dos mafiosos. Pensando bem, o excepcional seria se a deputada, sendo petista, revelasse o contrário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário