sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Albânia, onde nasceram as “políticas de reparação”


As políticas de reparação são apenas uma nova embalagem, agora envoltas num celofane marxista, da velha prática tribal do kanun retratada por Ismail Kadaré em Abril Despedaçado.

De acordo com o inflexível código do kanun, o clã é responsável pelos atos cometidos por qualquer um de seus membros – e deve pagar por isso. A dívida é imprescritível e se estende a homens, mulheres, adultos e crianças; ninguém escapa. Essa tradição, que na Itália deu origem à Máfia, praticou-se no Brasil por séculos, sob a forma de sangrentas guerras familiares, depois transformadas em disputas políticas mais ou menos incivilizadas, e hoje persiste em alguns poucos lugares, principalmente no Nordeste. Com a urbanização e a fragmentação dos laços familiares, estava destinada a desaparecer. Como eu disse, estava...

Sim, porque a esquerda, sempre com os pés – todos os quatro - plantados no passado, cevada pelo ressentimento, conseguiu ressuscitar entre nós esse costume bárbaro que já estávamos sepultando. Deste modo, em pleno século XXI, se você é membro do “clã” dos “brancos de olhos azuis”, deve entregar sua vaga na Universidade a um membro do “clã” dos “negros” ou dos “indígenas”, pois o kanun registra que, em algum lugar, em algum tempo, um membro do seu clã causou mal a um ou vários membros daqueles clãs, e estes agora devem ser reparados.

O Direito “tradicional” (certamente “de direita”) proibia que a punição de um crime atingisse pais, irmãos, filhos e demais parentes do criminoso, uma vez que o responsável pelos atos de um adulto seria... esse mesmo adulto, e somente ele. O kanun, entretanto, despreza e “supera” o Direito “tradicional”. Abole o conceito de indivíduo (segundo o qual – olha que absurdo! - cada adulto é responsável por seus próprios atos) e resgata a noção de clã (atualizada pelo nazismo sob o nome de raça, diferentemente do marxismo, que preferiu responsabilizar pelo Mal uma classe). 

Assim, restabelecido o kanun, cancelado o Direito "tradicional", sua vida, leitor, leitora, não é mais definida pelo que você faz, e sim pelo clã a que você pertence e pelo que algum membro desse clã fez no passado. A qualquer momento, andando na rua, você está sujeito(a) a levar um tiro de um estranho, e talvez morra sem saber que isso aconteceu porque, embora você more no Rio de Janeiro e tenha vários amigos negros, lá no Piauí um membro do clã dos "brancos de olhos azuis" matou um membro do clã dos "negros", ou porque, segundo a lenda, há dois séculos seu trisavô supostamente português raptou a trisavó supostamente índia do sujeito que acabou de matá-lo. No kanun, a vingança é para sempre; a um ciclo de ódio segue-se outro, depois outro...


O kanun, recuperado do nosso passado tribal por um pensamento que se denomina progressista, é eterno como o subdesenvolvimento. Como uma divindade maligna, ele velará para sempre nossa miséria. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os frutos da terra



O fenômeno de Hitler não se esgota em sua pessoa. Seu sucesso deve ser situado no quadro geral de uma sociedade arruinada intelectual ou moralmente, no qual figuras que em outros tempos seriam grotescas e marginais podem ascender ao poder público por representarem formidavelmente o povo que as admira.

Eric Voegelin, "Reflexões Autobiográficas"

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O berço do Ogro Filantrópico

    A combinação de Estado-babá com democracia resulta na degeneração da República. Os serviços oferecidos pelo Estado-babá aumentam à medida que diminui o rol de cidadãos livres. Com o tempo, um número cada vez maior de cidadãos dependentes dos serviços “oferecidos” pelo Estado elegerá os dirigentes da República. A cumplicidade entre eleitores-bebês e políticos promotores do Estado-babá se tornará dia a dia mais sólida. Em seguida, naturalmente, desaparecerão da vida pública os já escassos políticos que propugnem pela liberdade dos cidadãos. E então já não haverá República nem democracia.