Anteontem, no Senado, a ministra Dilma Rousseff explicou, para quem ainda não havia entendido, o princípio que orienta as relações do lulo-petismo com a verdade. Referindo-se aos interrogatórios a que foi submetida quando presa, explicou: "Qualquer pessoa que dissesse a verdade aos seus interrogadores colocaria em risco a vida dos seus iguais". É certo. Na guerra, os que não estão do meu lado não são meus iguais. Não tenho por que lhes contar a verdade.
Depois de conhecer a concepção da ministra sobre a guerra, pena que nenhum senador tenha tido a curiosidade de explorar suas idéias sobre a política. Se tivesse, e a ministra respondesse com franqueza, saberia que o lulo-petismo, do qual a ministra é militante disciplinada, não concebe a política como uma disputa entre iguais, circunstancialmente separados em facções, guiada pelo princípio de que todas as forças em jogo estão imbuídas de boa fé, defendem interesses legítimos e devem ter, por isso, iguais oportunidades de governar e pôr suas idéias em prática. O lulo-petismo, como pudemos ver nos últimos quase trinta anos, imagina a política como guerra, em que toda a verdade está de um lado (adivinhe qual...) e todo o erro, de outro. Por isso os petistas, quando surpreendidos a atropelar a lei, mentem com naturalidade "nunca antes vista neste país": como soldados numa guerra, sabem que só devem lealdade aos seus iguais. Diante dos outros, dos inimigos, sabem que é sua obrigação ocultar a verdade.
Para os que acreditam que os petistas mentem porque lhes falta "ética", a ministra, com seu exemplo de renúncia e sacrifício, deixou claro: ética eles têm; só não é a nossa. Lênin (A Ditadura do Proletariado e o Renegado Kautsky) e Trotsky escreveram com espantosa crueza sobre o assunto. O livro de Trotsky, muito sugestivamente, se chama A Nossa Moral e a Deles. Transpostas as coisas para o Brasil atual, nós, os que não avalizamos o petismo, somos os tais "eles". É simples assim. Tão simples - e brutal - que a maioria prefere continuar fingindo que não entendeu.
Mostrando postagens com marcador Petismo. Política como guerra. Carl Schmitt. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Petismo. Política como guerra. Carl Schmitt. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)
