"Madonna pode visitar um projeto social em uma favela no Rio" - informa o Estadão. E uma mulata, certamente, vai sambar para ela, antes do show de capoeira, enquanto crianças "retiradas da rua" tocarão surdos e tamborins. Somos o zoológico do Primeiro Mundo! Qualquer idiota aureolado com o título de "popstar" vem nos visitar e corremos a lhe mostrar o que temos de melhor: nossas favelas, povoadas de Ongs que fazem "trabalho social" (com dinheiro público, claro), nossas crianças famintas, nossos cidadãos sitiados e explorados pelo tráfico! Bono, Michael Jackson, até Mick Jagger, aceitaram, curiosos, conhecer essa coisa exótica, a favvelaa, típica dos países que, nas listas telefônicas do Primeiro Mundo, aparecem como "others". Agora é a vez de Madonna. Não ocorre a ninguém levá-la conhecer um Centro de Pesquisas, uma Biblioteca, uma Universidade, um conjunto arquitetônico. Não! Isso não desperta pena; não a convence a criar, talvez, uma fundação para assistir nossas crianças "em situação de rua"; não a estimula - oh!, sonho supremo! - a adotar, quem sabe, um brasileirinho (a quem ela dará o nome de uma divindade pagã com quatro letras). Nada de lhe mostrar um Brasil "normal": o que temos de típico, o que nos faz ser lembrados em todo o mundo é a favela - de preferência cheia de crianças com os olhos marejados de agradecimento àquele ser maravilhoso que se dignou descer do Olimpo para visitá-las. De um país "normal" ninguém tem pena. E nós amamos ser O País dos Coitadinhos.
Depois nos queixamos de Lula, como se ele fosse a causa de nossos males. Não é. Ele é apenas a materialização, no plano político, dos nossos hábitos mentais mais arraigados.
Mostrando postagens com marcador país dos coitadinhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador país dos coitadinhos. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)
