terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os frutos da terra



O fenômeno de Hitler não se esgota em sua pessoa. Seu sucesso deve ser situado no quadro geral de uma sociedade arruinada intelectual ou moralmente, no qual figuras que em outros tempos seriam grotescas e marginais podem ascender ao poder público por representarem formidavelmente o povo que as admira.

Eric Voegelin, "Reflexões Autobiográficas"

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O berço do Ogro Filantrópico

    A combinação de Estado-babá com democracia resulta na degeneração da República. Os serviços oferecidos pelo Estado-babá aumentam à medida que diminui o rol de cidadãos livres. Com o tempo, um número cada vez maior de cidadãos dependentes dos serviços “oferecidos” pelo Estado elegerá os dirigentes da República. A cumplicidade entre eleitores-bebês e políticos promotores do Estado-babá se tornará dia a dia mais sólida. Em seguida, naturalmente, desaparecerão da vida pública os já escassos políticos que propugnem pela liberdade dos cidadãos. E então já não haverá República nem democracia.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O gigante



Estou em Belo Horizonte a trabalho. Cansado, como um lanche no quarto do hotel, antes de dormir, e de repente ouço um troar de gritos e buzinas que sobe da avenida Afonso Pena. "Ah! - imagino - começaram os protestos contra a decisão do Supremo que deu aos golpistas do PT uma nova chance de escapar da cadeia. Os brasileiros não desejam uma nova ditadura, nem suportam mais tanta corrupção e desfaçatez! O gigante acordou!"


Nesse estado de ânimo, entusiasmado, esperançoso, vou para a janela saudar o povo rebelado. E noto, então, que as bandeiras que os manifestantes desfraldam não são a do Brasil: são completamente azuis. Ligo a TV: o Cruzeiro ganhou do Botafogo e se tornou líder do campeonato brasileiro. Ah, compreendo... Já posso voltar para o meu lanche. Desculpa aí, seu gigante!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Eu também


Tenho 1,60 m, peso 92 kg e meus pés são um pouquinho virados para dentro. Quando acabar meu mandato à frente da Associação Brasileira dos Sem Noção, vou parar de pintar o cabelo. Vou ficar igualzinho ao Rutger Hauer em Blade Runner.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Nova minoria excluída: os católicos ricos.



O Papa é "dos pobres", avisam-nos os jornais e revistas. Por que só dos pobres? Os ricos não têm uma alma que é preciso salvar? Por que, afinal, a Igreja Católica não ama os ricos com o mesmo amor que dedica aos pobres? "Ah, é uma questão de justiça. Os ricos já têm tudo". Não é verdade. Os ricos têm tudo, ou quase tudo... neste mundo. Mas essa riqueza nada representa no que se refere à Salvação, pois o reino de Deus, Jesus advertiu, "não é deste mundo" (João 18:36). No reino de Deus, os critérios que hoje utilizamos para chamar alguns de "ricos" e outros de "pobres" nada significam. No reino de Deus não há pobres nem ricos. 

Por isso, ao se declarar "dos pobres", o Papa e sua Igreja cometem um grave pecado. Fazendo subentender que os ricos já foram muito premiados (e que agora, por isso, é a vez de cuidar dos pobres), o Papa e sua Igreja declaram, por vias tortas, que, se existe um prêmio que o cristão receberá, esse prêmio está sendo entregue aqui na Terra. Os ricos já o receberam em abundância. Agora, de acordo com os princípios do direito redistributivo, a Igreja deve empenhar-se para que os pobres também o recebam. Com essa lógica, o que o Papa e sua Igreja afirmam, sem disso se dar conta, é que tudo se resume a este mundo; o reino de Deus não existe. 

Deste modo, depois de tantos séculos, tantos concílios, tantas encíclicas, tanta filosofia, descobrimos, pelas palavras singelas de um papa argentino, que o que vale, mesmo, é o velho dito popular: aqui se faz, aqui se paga. O único mundo que existe é este: o do populismo.

A América Latina nunca falha. 

terça-feira, 5 de março de 2013

As ideias devem estar a serviço do progresso social


O PT não gosta do que os jornais publicam. Ora, o que impede o PT de ter seu próprio jornal? Nada. Aliás, ele tem um jornal – que, mesmo entre os petistas, é lido por meia dúzia de gatos pingados. E é aí que está o problema: o PT gostaria que cada meditação profunda de Lula brilhasse na primeira página... do Estadão. Que os comentários sábios e tolerantes de Rui Falcão fossem manchete... na Folha. Que o Globo reservasse a primeira página do seu caderno de Turismo para, quem sabe, as fotos de viagem de Rosemary Noronha. O PT não quer o controle absoluto da mídia tal como é exercido em Cuba ou na Coreia do Norte. Ele quer, sim, que os Marinho, os Mesquita, os Frias continuem contratando e pagando seus jornalistas, recolhendo seus impostos, fazendo seus jornais chegar a cada canto do Brasil, arcando com os prejuízos quando estes se apresentarem, mas que caiba a um “conselho de democratização da informação e da cultura” ou assemelhado, constituído por ongs, sindicatos, associações de “jornalistas”, todos casualmente petistas, definir algumas questões de detalhe: isto é bom para o povo, isto é ruim, isto merece ser publicado na primeira página, isto deve ir para a lixeira. Não é censura: o PT só quer retirar dos donos dos jornais uma pequena liberdade, que lhe parece excessiva – o direito de opinar. No mais, eles podem continuar com seus jornais...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cotas para a Universidade

Em vez de demolir a Senzala (instituindo um ensino público de qualidade), nossos demagogos preferem sortear passes autorizando alguns escravos a frequentar por um tempo a Casa Grande.