Quando os bisavós dos petistas, os bolcheviques, estavam na oposição ou na clandestinidade, não só eram a favor de todas as greves como as estimulavam sempre que podiam. A greve, diziam, era um direito do trabalhador, além de possuir, supostamente, a virtude de fortalecer o movimento operário e enfraquecer o capitalismo. Só um governo bárbaro, inimigo da civilização democrática, seria contra o direito de greve, escrevia Lênin. Lindas palavras.
Tão logo conquistaram o poder, os bolcheviques proibiram as greves. Explica-se: como Lênin e seus camaradas e-vi-den-te-men-te encarnavam os interesses históricos do proletariado (assim como, mais tarde, Fidel, Kim Jong-Il, Pol Pot e outros), organizar uma greve contra o governo bolchevique equivalia a colocar-se ao lado do capital, contra o trabalho. Logo, se ousavam erguer a cabeça contra um governo do povo, os grevistas mereciam ser tratados como bandidos. E assim se fez. Você já leu sobre alguma greve na União Soviética? Em Cuba? Pesquise...
É por isso, leitor, que todos, rigorosamente todos os sindicatos que, durante governos do PMDB ou do PSDB, puxam greves pelo menos uma vez por ano, exigindo sempre, na pauta de negociações, o pagamento dos dias parados – o dos professores é o caso mais típico -, praticamente somem da vida pública assim que a prefeitura ou governo do Estado cai nas mãos do PT. Não porque os salários melhorem. É que, além de dar aos dirigentes sindicais amigos um bom emprego, os governos do PT tratam seus grevistas com mão de ferro – como ficou evidente, agora, no caso da EBC. Com os representantes do progresso social e do futuro da humanidade não tem essa de negociar com braços cruzados ou pagar os dias parados: essa é uma fraqueza dos "neoliberais". Contra os que desafiam os representantes do povo, heróis do bolsa-família, deve-se ter a mão dura: demissões, processos, corte dos vencimentos, etc. Em suma, a boa e velha repressão “burguesa".
A isso, leitor, chama-se “dialética”.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
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