domingo, 19 de outubro de 2008
Herança Maldita
Estive em Belo Horizonte. Às vésperas da eleição municipal, a esquerda está desesperada, não apenas porque vai perder a administração da cidade para um certo Leonardo Quintão, mas, principalmente, porque centenas de militantes profissionais vão perder seus empregos na prefeitura, inúmeros contratos vão ser cancelados, dezenas de ONGs vão ficar sem seus meios de financiamento, etc. etc. O tal Leonardo Quintão representa, para a esquerda, tudo o que existe de ruim no mundo: "inculto", "demagogo", "corrupto", "evangélico" (para a esquerda, herdeira das Luzes, ser evangélico é crime, a não ser que o candidato seja do PT e se chame, digamos, Benedita da Silva...). Não que a esquerda não apóie, regularmente, alguém com várias dessas características - é só ela olhar um pouquinho para cima. O problema, muito mais grave, é que a esquerda administra Belo Horizonte há quase uma geração - dezesseis anos! E isso nos leva à pergunta inevitável: quem é o responsável pela situação atual? O PMDB? O PSDB e o "neoliberalismo"? Por que a esquerda não conseguiu, em dezesseis anos, educar minimamente a população, vaciná-la contra a demagogia, contra a mentira transformada em método, contra o populismo rasteiro que gosta de contrapor "o povão" às "elites"? Não conseguiu porque esse é, há décadas, o discurso do lulo-petismo: a defesa da incultura (que seria "popular") contra a cultura (que seria "burguesa"); a agressão verbal como estilo de discussão política; o rigor contra os "inimigos" e a leniência com os amigos; o coitadismo que transforma todo pobre em não-cidadão, uma vez que a ele nada se pode pedir, nem mesmo que ajude a manter sua cidade limpa. Dezesseis anos dessa política teriam que produzir algum fruto. Produziram. E a criança tem a cara dos pais.
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